sábado, março 29, 2008

Top books read in 2007

In January I was asked to write a list with my Top 20 of books read in 2007. Finally I came round to do it. I decided to write one in English (TOP 20, because I read more…) and another one in German (TOP 10 because I read less :)). In parallel I also wrote a list of the let-downs in English and in German…

Here they go :

TOP 20 in English (out of 45 read):

The Blind Man of Seville - Robert Wilson (6*)
A Walk Among the Tomb Stones – Lawrence Block (6*)
Anna’s Book – Ruth Rendell (6*)
The Wine of Angels – Phil Rickman (5*)
The Devil’s Star – Jo Nesbo (5*)
Two for the Money – Max Allan Collins (5*)
The Cure of the Souls - Phil Rickman (5*)
The Snack Thief – Andrea Camilleri (5*)
The Lamp of the Wicked - Phil Rickman (5*)
Echo Park – Michael Connelly (5*)
The Naming of the Dead – Ian Rankin (5*)
The Extremes – Christopher Priest (5*)
Sailing to Sarantium – Guy Gavriel Kay (5*)
Lord of Emperors - Guy Gavriel Kay (4*)
The Oxford Murders – Guillermo Martinez (4*)
The Bridesmaid – Ruth Rendell (4*)
The Prayer of the Night Shepherd (4*)
The Remains of an Altar – Phil Rickman (4*)
A Demon in My View – Ruth Rendell (4*)

“Let-downs” in english:

The Babes in the Wood – Ruth Rendell (3*)
The Dead Place – Stephen Booth (2*)
Glasshouse – Charles Stross (2*)
Never End – Ake Edwardson (2*)
Fleshmarket Alley – Ian Rankin (2*)

TOP 10 in German (out of 26 books read):



Das fliegende Klassenzimmer – Erich Kästner (6*)
Endstation für Neuen – Maj Sjöwall/Per Wahlöö (5*)
Das Spiel der Patriarchen – Andrea Camilleri (5*)
Das Medaillon - Andrea Camilleri (5*)
Der Mann auf der Balkon - Maj Sjöwall/Per Wahlöö (4*)
Alarm in Sköldgatan - Maj Sjöwall/Per Wahlöö (4*)
Und die Grossen lässt man laufen - Maj Sjöwall/Per Wahlöö (4*)
Verchlossen und verriegelt - Maj Sjöwall/Per Wahlöö (4*)
Kakerlaken – Jo Nesbo (4*)

Enttäschungen auf Deutsch:

Menschensöhne – Arnaldur Indridason (3*)

Written originally in Portuguese there was nothing worth mentioning.

"Hinter fremden Türen" escrito por Kristin Marja Baldursdóttir, Uma "Gapy Hauptmann" islandesa, mas infinitamente melhor...



Uma mulher-a-dias em crise de identidade ou uma Cinderella islandesa…

Alguns leitores assíduos deste blog exigiram-me que escreve-se também em português… Não é fácil agradar a gregos e a troianos!

Cá vai então a minha opinião sobre o livro da “filha do Baldur” ”Atrás de portas alheias” (tradução da minha lavra J ) na língua de Camões. Não é provável que este livro alguma vez venha a ser vertido para a língua de Camões, daí que eu deixe aqui a minha contribuição para que o possam querer ler. Pode ser que algum dia algum editor português o queira publicar. É mais provável que venha a ver a luz do dia em inglês do que em português. Aviso à navegação: existem alguns excertos do livro em alemão (antes em alemão que em islandês eh eh eh), mas com uma tradução livre em português para aqueles que não dominam o Alemão. Tanto quanto sei nenhum livro da Baldursdöttir foi alguma vez traduzido para inglês. Mas dado o sucesso que tem tido em toda a Escandinávia e na Alemanha, não é difícil prever que esteja na calha uma tradução para a língua de Shakespeare.

Kolfinna Karlsdottir (filha de “Karl”), a personagem principal, apenas almejava uma coisa: chegar aos 80 anos e ter gozado uma vida boa [página 315:”(…)Das war das Einzige, wonach sie sich sehnte. Achtzig zu werden und zu einer jungen Frau sagen zu können: Mein ganzes Leben ist schön gewesen.”].

Vamos começar pelo princípio. Esta personagem islandesa, prestes a fazer 30 anos, muda-se de armas e bagagens para casa da sua mãe, após ter sido despedida e de ter simultaneamente terminado a sua relação de 5 anos com o seu companheiro, que era um bêbado de primeira apanha.
Frustrada e envolta em apatia passa parte dos seus dias a vegetar em frente à TV e a outra parte a trabalhar como mulher-a-dias em casa de 4 personagens: uma velha senhora, um advogado de sucesso, uma famosa cantora de ópera e um investigador. Os estilos de vida, a riqueza e o “savoir-vivre” destes quatro personagens fascinam-na e após algum tempo “atrás destas portas alheias” ela acredita ter encontrado a Boa-Vida. Sob a influência dos seus ricos patrões ela começa a mudar a sua aparência, começa a ocupar-se de assuntos relacionados com dinheiro e cultura. O único problema é que continuava a faltar uma peça importante neste arsenal de mudança: ainda não acreditava em si mesma. Fundamental para quem quer dar a volta por cima. Nesta altura penso que adivinho o que vos vai na alma. Mais um livro de “gajas”. Nada mais falso! Gaby Hauptmann está a léguas de distância deste universo…

Kolfinna Karlsdottir sente que foi extremamente deprimente crescer sem ter qualquer tipo de talento. Este livro mostra, entre outras coisas, que é possível escolher outro caminho, tornando essa escolha também nossa. A procura da Sorte, do Sentido das Coisas, estão contidas numa obra cheia de humor e vida. Também se pode discernir uma crítica feroz à sociedade islandesa no meio de tanto humor (vide meu “post” anterior sobre o escritor Arnaldur Indridason, também islandês). Achei muita piada a alguma passagens, em que a autora pretendia retratar algumas das idiossincrasias da cultura e das gentes islandesas. Vejam-se as seguintes passagens :

Página 94:

““Du hast irgendwann gesagt, dass das hier ein Saustall sei. Kannst du mir sagen wieso?”
Sie starrte ihn mit offenem Mund an, rief sich tasch ihre früheren Begegnungen ins Gedächtnis und fühlte sich verlegen und beschämt.(…) Erst wollte sie die Worte, die ihr damals in ihrer Wut herausgerutscht waren, möglichst herunterspielen, aber dann fiel ihr der Gestank wieder ein und wie sie gegen den Brechreiz hatte ankämpfen müssen.
“Du pinkelst daneben”, sagte sie grimmig.”

(“Disseste algures que isto era uma pocilga. Podes concretizar?”
Ela lembrando-se dos seus encontros anteriores e sentindo-se embaraçada e envergonhada olhou para ele espantada. Primeiro quis minimizar o mais possível as palavras que lhe tinham escapado antes num acesso de fúria, mas depois notou o pivete e a luta que teve de travar com a náusea.
"Mijas ao lado," respondeu ela sombriamente.

Se calhar não é só na Islândia…! Agora já se vendem umas luzinhas que podemos colocar no bordo da sanita e que evitam este tipo de inconveniente… eh eh eh

Página 116:

““Sie hatte schon öfter davon geträumt, einmal Zug zu fahren, in einem Zug zu essen und zu schlafen, und phantasierte sich in einen der Spielzeugzüge hinein””

(“Ela tinha sonhado já com o facto, de andar pela primeira vez de comboio, comer e dormir num comboio e imaginar-se num dos comboios-brinquedo”).

Porque razão sonha a Kolfinna com comboios como se nunca tivesse visto nenhum? Porque de facto ela nunca viu comboios ao vivo. Na Islândia não há linhas de comboio! (In Insland gibt es keine Einsenbahnen!!)

Página 156 e 157:

““Já, Kolfinna, jetzt stehen die Frühjahrsarbeiten im Garten an, nicht mehr und nicht weniger, ich kann dir gar nicht beschreiben, wie wundervoll es ist, bei solchem Wetter früh aufzuwachen und gleich in den Garten zu gehen. Bist du nicht auch glücklich, dass nun endlich der Frühling da ist?”
“Ist der Goldregenpfeifer schon da?”
“In den Nachrichten wurde davon noch nichts gesagt.””

(“Sim, Kolfinna há trabalho a fazer no quintal, nem mais nem menos, e eu nem consigo descrever, quão maravilhoso é, levantar-me com este tempo e ir para o quintal. Não estás satisfeita que a Primavera tenha finalmente chegado?”
“O xxxx (pássaro) já voltou?”
“Sobre isso ainda não apareceu nada nas notícias”.)

Não faço ideia do que seja um “Goldregenpfeifer” (tenho de ir ao dicionário…), mas é um pássaro que volta à Islândia quando a Primavera está à porta. O que é estranho é que isto seja objecto de um qualquer Telejornal…
Para qualquer islandês que se preze, mais importante que o início oficial da Primavera é a chegada do “Goldregenpfeifer”. Assim que estes pássaros são avistados na Islândia, são sempre notícia em todos os Telejornais. É preciso não esquecer que os Islandeses vivem debaixo de neve grande parte do ano.

Página 183:

“Sie blickte ihn nachdenklich und mit offenem Mund an und beschloss, ihm nicht auf die Nase zu binden, dass sie hauptsächlich Katastrophenmeldungen und die Klatschspalten las. Die Nachrichten im Fernsehen sah sie sich nur ganz selten an, weil sich da meist alle zum Fisch drehte.”

(Ela olhou para ele pensativamente e de boca escancarada e decidiu não lhe dizer que o que ela realmente lia eram notícias sensacionalistas, assim como a coluna dos mexericos. As notícias na TV só via de vez em quando, dado que a maior parte das vezes eram sobre Peixe”)

Como é fácil de entender, a principal e quase única indústria islandesa é a pesca. Uma grande percentagem de islandeses trabalha na indústria pesqueira. Qualquer assunto relacionado com a pesca é quase sempre abertura de Telejornal devido à grande dependência económica da Islândia relativamente à pesca.

Tenho de reconhecer que fui também surpreendido pelo final desta obra. Não apenas pelo final, mas também por causa dele, vale a pena definitivamente ler este romance. Tenho de agradecer ao Wolfgang ter-me indicado este livro como obrigatório. Mostra uma tendência nítida de fugir aos estereótipos do romance escandinavo (policial e “mainstream”, que inunda as estantes de qualquer livraria alemã que se preze…)

Fiquei com vontade de ler os dois primeiros livros escritos pela Baldursdóttir: “Kühl graut der Morgen”(Manhã cinzenta fria) e “Möwengelächter” (Riso das gaivotas). Vou encomendar e lê-los durante as férias, pois merecem ser degustados com tempo e com bom tempo.



Não se surpreendam que a Islândia possa apresentar autores de qualidade. Já teve um prémio Nobel da Literatura : Halldór Laxness. Este sim tem imensas traduções em várias línguas, inclusive em português (“Gente Independente”). Pessoalmente encontro bastantes semelhanças estilísticas entre a nossa Lídia Jorge e o Halldór Laxness. Mas isso fica para um outro “post”…

Arthur C. Clarke



(Margarida com alguns dos livros do Arthur C. Clarke...)

Tanto que eu poderia dizer/escrever. Os livros: “Childhood’s End”, “The Fountain’s of Paradise”, “The Nine Billion Names of God”. Ler estes livros com 15 anos de idade transformou-me…Felizmente a biblioteca do British Council estava na altura recheada de bons livros para quem se queria iniciar nas leituras em Inglês, já que não havia de facto alternativas (ainda não havia Amazon…). De tudo o que li o livro que permanecerá para sempre comigo é definitivamente o “Childhood’s End”. Ainda recordo a sensação que foi ler este livro na altura. Fiquei completamente de cara à banda. Nunca tinha lido nada assim. Fiquei completamente “agarrado”. Quis logo ler tudo o que ele tinha escrito, mas foi mais fácil pensar do que fazer. Só alguns anos mais tarde me foi possível ler quase toda a sua obra.



Na altura fazia parte de uma tertúlia onde havia basicamente três facções: os “heinleinianos, os Clarkeanos e do Asimovianos…:) Durante muito tempo “estive” sempre com o Clarke (mais tarde tive um “desvio” para o Heinlein).
Ainda bem que o Arthur C. Clarke colocou os seus pensamentos e aspirações em papel e que os partilhou connosco. Se tal não tivesse acontecido, o mundo seria bastante mais pobre. Boa viagem e que venhas um dia a conhecer os “Nove milhões de nomes de Deus”, que encontres as “Fontes do Paraíso”, que o teu Caminho para o outro lado do céu seja suave e que possas descobrir no Fim da Infância que exista um Universo cheio de maravilhas.
Se não tivesse lido Arthur C. Clarke provavelmente não teria escolhido o caminho profissional que escolhi e a minha vida teria sido com toda a certeza diferente.

quarta-feira, março 12, 2008

Retro Science Fiction : Fuzzy Creatures by H. Beam Piper



Piper belonged to a school of writers, who didn’t question the notion that Man was the best thing that had happened to the Universe. His was a literature of high organization and obscure knowledge. He also believed in the reconciliation of problems by logic, common sense or compromise, and in the last resort, by justifiable force.
The three fuzzy books that I’ve just read (“Little Fuzzy”, “Fuzzy Sapiens”, “Fuzzies and Other People”) have a coziness that is lacking in the rest of Piper’s work. The coziness consists of a creature twelve twenty-four inches tall, a ball of fur with large brown eyes and lacking all malice. Compare with the Moties from the book by Larry Niven and Jerry Pournelle “The Mote in God’s Eye”… Quite different, but the intrinsic qualities of both books are not much different! The same voiceless characters, also quite a number of main figures, usw. All in all I much prefer the Fuzzy creatures than the Moties. The Moties are quite laughable in terms of character building for a start. Sometimes they look like some guys I know … eh eh eh. Not much alienness!

For me the Fuzzies can be seen as symbol of conscience, of lost innocence. The struggle to prove and then assert the sapience of these creatures lifts these trilogy above the pulp fodder that was published at the time.

A long time ago I had read the first two books of the trilogy (the third was not available to me at the time). Now I decided to re-read the complete trilogy “The Complete Fuzzy”, which comprises the three books.

Unfortunately these novels cannot withstand the test of time. By today’s standards this trilogy is just a bunch of drivel. There are too many main characters, and they all seem the same. Even the Fuzzies seem the same, that is, it’s very difficult to tell them apart. The characters read like some 50’s pulp fiction romance (“Astounding Magazine”, “Amazing Stories” and so on) and behaved quite unlike anyone I know, despite the fact that the books were written in the 60’s. Maybe it's simply a reflection of the time when the novel was written. Still I got a kick while re-reading these trilogy. I still have fond memories of reading them in the 80’s. I’ve always been a sucker for retro-SF-books…The test of time is a bitch. The eyes that read those books back then are not the same that have read them now. That’s the problem. For those of you who like to dwelve into retro SF, I think this trilogy is going to be a safe bet. For those who don’t stay clear.